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1ª Sessão | June 29, 2020  | 329 Lotes

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FRANCISCO JOÃO - ACT. 1563-1595 Predela tripla três painéis de madeira pintados a óleo "São Bento", "São Lourenço, São Roque, São Sebastião e São Brás" e "Santa Bárbara" centro do painel central com cartela classicista com inscrição ESTA CAPELLA ESTANDO MVITO DESTRVIDA FOI REEDIFICADA POR SEBASTIÃO CORDEIRO ALFERES DAS ORDENANÇAS E SVAS IRMANS ISABEL MARIA CORDEIRA E MARIA CORDEIRA DOS ANIOS EM LOVVOR E GLORIA DA SANTISSIMA TRINDADE NO ANNO DE 1756, molduras em madeira marmoreada e dourada restauros, defeitos no suporte, vestígios de insectos xilófagos, pequenas faltas e defeitos Dim. - 50,5 x 252 cm Notas: FRANCISCO JOÃO Évora, c. 1539-1595 Predela tripla com as figuras de São Bento (parte esquerda), São Lourenço, São Roque, São Sebastião, São Brás (painel central) e Santa Bárbara (parte direita). Inscrição visível: ESTA CAPELLA ESTANDO MVITO DESTRVIDA FOI REEDIFICADA POR SEBASTIÃO CORDEIRO ALFERES DAS ORDENANÇAS E SVAS IRMANS ISABEL MARIA CORDEIRA E MARIA CORDEIRA DOS ANIOS EM LOVVOR E GLORIA DA SANTISSIMA TRINDADE NO ANNO DE 1756. Inscrição subjacente: ESTE RETABOLO ALTAR E IAZIGO MANDOV FAZER LVIS M[ON]IZ E Ma DE PREITOS SVA MOLHER PERA SI E SEVS DECENDENTES 1574. Esta tripla pintura, bom testemunho do Maneirismo regional, pertenceu à predela de um desmembrado retábulo de origem ignota e é devida aos pincéis de Francisco João, o mais operoso pintor instalado e activo em Évora na segunda metade do século XVI e o artista local preferido nas encomendas do Arcebispado em tempo do Cardeal D. Henrique e de D. Teotónio de Bragança. Este mestre foi pintor de muito prestígio na capital alentejana, onde assumiu estatuto liberalizado, pintando também a fresco e sendo membro destacado da irmandade da Misericórdia e do Santo Ofício, e autor de obras numerosas, espalhadas por igrejas da Arquidiocese de Évora e pelo Museu de Arte Sacra da Sé, sempre marcadas por um pessoalíssimo «modo de fazer», hoje bem conhecido. Em peças como as da igreja matriz de Pavia, por exemplo, reconhecem-se fidelidades a modelos de santos que ressurgem nesta predela, enquanto a típica resolução dos fundos de paisagem se patenteia nas tábuas de Santa Susana (Redondo) e, em crescente processo de simplificação, nas obras finais para a igreja de Santa Helena do Monte Calvário de Évora (1593). A existência do pintor era absolutamente desconhecida até às investigações do historiador de arte Túlio Espanca (1947). Depois disso, o artista mereceu farta pesquisa arquivística e laboratorial que lhe veio definir todo o percurso artístico, bem como as peculiaridades técnicas, os estilemas e os usos picturais propriamente ditos, merecendo ser citada, entre outros estudos, a tese de doutoramento de Helena Pinheiro de Melo "O pintor Francisco João (act. 1563-1595). Materiais e técnicas na pintura de cavalete em Évora na segunda metade do século XVI" (Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, Porto, 2014). Continua sem se saber, porém, a partir da inscrição original da cartela central, quem era o casal de devotos alentejano que encomendou a obra, o que impede de apurar, em consequência, a capela ou igreja a que se destinava. O artista formou-se nos modelos da última geração renascentista, talvez na oficina de Sebastião Lopes, como o atesta o estilo da sua primeira obra bem documentada, as três tábuas do retábulo da igreja matriz de Terena (1559), e das obras subsequentes (tábuas em São Mamede de Évora e Santa Maria de Estremoz). Mas cedo enveredou pelo gosto do Maneirismo italianizante na sua versão mais didascálica e contra-reformista, depois de receber a forte influência dos modelos do célebre Luís de Morales, «el Divino», pintor de Badajoz que veio trabalhar em Évora em 1565. É o conhecimento dos modelos ascéticos de Morales que se observam, antes de tudo, nas seis figuras de pé que se recortam sobre um largo fundo de paisagem comum aos três painéis e integram este interessante painel pintado em 1574. O desenho é muito característico dos repertórios do pintor, dentro da sua fidelidade a estilemas pessoais, mesmo que com modelos que dificilmente se alteiam e têm poses algo atarracadas (no São Roque), ou efeitos de «terribilità» (como no São Sebastião) só muito longinquamente miguelangelescos, enquanto a busca de uma beleza ideal, que se encontra com maior evidência na estimável figura de Santa Bárbara, mostra o esforço constante de mestre Francisco João em manter perante os seus clientes uma imagem de fácil poder atractivo e de grande eficácia devocional. Vitor Serrão Historiador de arte A Cabral Moncada Leilões regista e agradece ao Professor Doutor Vítor Serrão o enquadramento histórico e artístico da obra em causa. A presente obra foi apresentada e exposta no Museu de Évora entre 18 de Maio e 1 de Julho de 2019.

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