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3ª Sessão | September 24, 2014  | 275 Lotes

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euro_symbol€ 30,000 - 45,000 Base - Estimativa

gavel€ 175,000Vendido

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Caixa Lusíada estrutura em marfim decoração esculpida com vestígios de dourado "«Hamsa», «Simha» e «motivos vegetalistas», espelho e batente da fechadura em prata relevada e gravada, cantoneiras em prata gravada, pega da tampa em prata relevada com extremidades esculpidas "Cabeças de serpente" vertente Cíngalo-Portuguesa séc. XVI (2ª metade) interior forrado a tafetá de seda vermelha, pequena falta no fundo, pequenos defeitos Dimensões (altura x comprimento x largura) - 9,5 x 19,8 x 14,2 cm Notas: integrou a colecção do Rei D. Fernando II.
Integrou com o nº 288 a exposição "D. Fernando de Saxe Coburgo-Gotha - Comemoração do 1º centenário da morte do Rei-Artista", realizada no Palácio Nacional da Pena, Sintra, Julho-Agosto-Setembro de 1985, encontrando-se identificada e reproduzida no respectivo catálogo. Lisboa, Instituto Português do Património Cultural, 1985, p. 159, fig. 133, e p. 209.
Integrou com o nº 128 a exposição "Via Orientalis", realizada na Galerie de la CGER (Caisse Générale d'Epargne et de Retraite), integrada na "Europalia 91 - Portugal", Bruxelas, 24 de Setembro a 15 Dezembro de 1991, encontrando-se identificada no respectivo catálogo. Bruxelles: Fondation Europalia, 1991, pp. 158-159.

Raro e importante cofre em forma de arqueta, de corpo paralelepipédico, tampo plano e supedâneo salientes. O corpo é constituído por quatro placas de marfim ensambladas provavelmente em cauda de andorinha, posteriormente fixadas por pinos metálicos, estando oculta a união por cantoneiras de prata gravadas a buril. Duas placas formam o tampo e outras duas a base, sabiamente ensambladas em junta plana de encaixe "a meia-madeira". À excepção do fundo, todas as placas são profusamente entalhadas em baixo-relevo com enrolamentos vegetalistas enquadrando, em cada face, a modo de medalhões (dois por face), variações do ganso-de-cabeça-listada (Hamsa) ou Anser indicus, animal sagrado do Budismo e do Hinduísmo, símbolo auspicioso de união perfeita, harmonia e vida. Surgem igualmente um Hamsa com cabeça de leão (Simha) na ilharga direita e um Simha com cabeça de Makara (dragão-crocodilo) na frente. O tampo (com pega em prata cinzelada) é decorado por cercadura de enrolamentos de flores de lótus, Hamsa e Simha, tendo o campo dois Simha afrontados (símbolo régio cingalês). Observam-se ainda vestígios da aplicação de folha de ouro brunida pela superfície entalhada e bem polida, que contrastaria com o interior forrado a tafetá de seda carmesim, uma cor exclusiva da realeza. Das ferragens de prata, únicas e testemunho importante da prataria cingalesa deste período, sobressai a fechadura delicadamente cinzelada, como se pode observar nas micrografias (10x e 150x). A lingueta apresenta uma raríssima representação de esquilo-gigante-cinzento do Ceilão (Dadu-lena em Sinhala) com sua característica cauda comprida (Ratufa macroura) e, no topo, uma cobra-capelo (Naya), a temível e venenosa cobra-indiana (Naja naja ceylonicus). O espelho, em forma de escudete recortado a modo heráldico, é esquartelado, sendo decorado por um pombo-torcaz (Mahavila-goya) ou Columba torringtoniae e uma lebre-indiana (Hava) ou Lepus nigricollis no primeiro quartel; um leão Simha rampante no segundo e terceiro; e por um gavião-variável (Konde-rajaliya), ou Nisaetus cirrhatus, no último. O presente cofre pertence a muito restrito grupo de outros também produzidos nas oficinas régias do Ceilão (Kotte, Sitavaka e Kandy) desde meados de Quinhentos, sob influência portuguesa e destinados às cortes de Lisboa e Goa. Desses destacam-se os dois, hoje em Munique, oferecidos por ocasião da embaixada enviada em 1542 por Bhuvanekabahu VII a D. João III. Neles se observa a inigualável mestria dos entalhadores (Liyana vaduvo) e ourives (Badallu) régios de Kotte, muitos de origem Tamil. Após a destruição da capital em 1565 e a transferência para a cidade portuária de Colombo dominada pelos Portugueses, a sofisticação do entalhe do marfim tal como praticado na oficina régia, o expressivo médio- e alto-relevo com recurso a placas de grande espessura e que caracteriza estes primeiros cofres, ter-se-á de certo modo perdido. Será num clima de contínuos conflitos bélicos e uma crescente influência portuguesa que terá sido produzido este cofre-arqueta, seguindo modelo medieval europeu, mais raro que os de tampa trifacetada. O seu entalhe em baixo-relevo é afim ao das laterais das tampas e emolduramentos dos cofres de meados de Quinhentos de Viena, Londres, Berlim e Boston, sendo em tudo semelhante ao da colecção Távora Sequeira Pinto cujo centro de produção será Kandy, no centro da ilha, e onde podemos encontrar precisamente a fauna endémica representada na preciosa fechadura deste cofre. À sua importância acresce a proveniência, tendo pertencido à colecção do rei D. Fernando II, chegando até nós pela mão dos actuais herdeiros da condessa d'Edla.

Bibliografia / Bibliography: Carneiro, José Manuel Martins (ed.), D. Fernando de Saxe Coburgo-Gotha. Comemoração do 1.º Centenário da morte do Rei-Artista (cat. exp.), Sintra, Palácio Nacional da Pena, 1985, p. 209, cat. 238; Pinto, Maria Helena Mendes, et al. (eds.), Via Orientalis (cat. exp.), Bruxelas - Lisboa, Caisse Générale d'Epargne et de Retraite - Europalia Portugal 91 - Fundação Oriente, 1991, pp. 158-159, cat. 128 (descrição errónea); Bibliografia Relacionada / Related Bibliography: Coomaraswamy, Ananda K., Mediaeval Sinhalese Art, Nova Deli, Munsharam Manoharlal, 1956; Ferrão, Bernardo, Mobiliário Português dos Primórdios ao Maneirismo, Vol. 3 (Índia e Japão), Porto, Lello & Irmão Editores, 1990, maxime pp. 77-91; Jaffer, Amin, e Schwabe, Melanie Anne, "A group of sixteenth-century caskets from Ceylon", in Apollo, 149.445, 1999, pp. 3-14; Seipel, Wilfried (ed.), Exotica. Portugals Entdeckungen im Spiegel fürstlicher Kunst- und Wunderkammern der Renaissance (cat. exp.), Viena - Milão, Kunsthistorisches Museum - Skira, 2000, cats. 147, e 149-153; Carvalho, Pedro de Moura (ed.), Luxury for Export. Artistic Exchange between India and Portugal around 1600 (cat. exp.), Boston, Isabella Stewart Gardner Museum, 2008, cat. 1; e Jordan Gschwend, Annemarie, e Beltz, Johannes (eds.), Elfenbeine aus Ceylon: Luxusgüter für Katharina von Habsburg (1507-1578) (cat. exp.), Zurique, Museum Rietberg, 2010, maxime cats. 12, 18-19, 21-23, e 50-52.

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