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euro_symbol€ 4,000 - 6,000 Base - Estimativa
"Grande cadeira de casamento" de patins com supedâneo Lusíada sissó embutidos em marfim fixos por pinos de cobre dourado, assento, espaldar, laterais, parte frontal e supedâneo com palhinha vertente de influência Mogol séc. XVII (1ª metade) restauros, estrutura do supedâneo posterior, espaldar com cinco painéis alterados - originalmente conteriam espelho e/ou vidros formando uma espécie de «relicários» com flores e ramos secos -, substituídos por placas de sissó com embutidos de marfim fixos por pinos de cobre dourado, alguns dos painéis com a palhinha substituída Dimensões (altura x comprimento x largura) - 133,5 x 89 x 75 cm Notas: a) Este lote está sujeito às restrições CITES de exportação/importação e encontra-se devidamente certificado: nº 26PTLX02512C;b) É actualmente proibida por diversos países a importação de bens que incorporem materiais de espécies da fauna e flora selvagens protegidas, incluindo, entre outros, marfim, coral e tartaruga;c) Em Portugal, em conformidade com a prevista transposição para a legislação nacional das mais recentes orientações da UE relativas ao comércio de marfim, está suspensa a emissão de certificados de reexportação para países que não integrem a UE;d) Neste contexto, aconselham-se os seus potenciais compradores a informarem-se previamente sobre a legislação do seu país e restrições internacionais aplicáveis.A presente cadeira pertencerá a um muito escasso número de exemplares conhecidos das designadas «grandes cadeiras de casamento indianas».Na verdade, tal como no presente caso, interessantes e raras são as decorações das cadeiras Lusíadas do Museu Nacional de Artes Decorativas de Madrid e de uma colecção particular portuguesa, ambas da vertente de influência Mogol, seguindo o modelo renascentista ibérico da «cadeira de patins», as quais possuem nos espaldares, em vez dos tradicionais vãos geométricos preenchidos por «palhinha», um ou mais vãos preenchidos com espelho e outros preenchidos por vidros que formam uma espécie de «relicários» possuindo flores e ramos naturais secos no seu interior. No caso da primeira os referidos vãos encontram-se totalmente vazios, tendo perdido os espelhos e/ou os referidos «relicários».Manuel Castilho informa-nos que cadeiras semelhantes se encontram no Museu Gayer-Anderson do Cairo [1], pelo menos duas delas identificadas como «grandes cadeiras de casamento indianas». Manuel Castilho, muito acertadamente, deduz que, não havendo mobiliário de assento «à europeia» na Índia anteriormente ao século XVIII, a não ser as cadeiras Lusíadas, as cadeiras que se encontram no Museu do Cairo, à semelhança do que aconteceu com outros móveis e têxteis indianos, deverão ter sido levadas por mercadores guzerates para o Egipto otomano, com quem possuíam fortes laços comerciais.A ser assim, as cadeiras que se encontram no Museu do Cairo são Lusíadas da vertente de influência Mogol e, pela sua identificação, deveriam ser utilizadas na Índia como «cadeiras de casamento». Então, somos forçados a concluir que a cadeira que se encontra no Museu de Artes Decorativas de Madrid (nº inv. 2950) [2] e uma outra pertencente a uma colecção particular portuguesa [3] são dois exemplares das designadas «grandes cadeiras de casamento indianas».Apesar de estruturalmente serem semelhantes, pois provêm do mesmo modelo, estas cadeiras apresentam, para além da decoração dos espaldares, diversas diferenças relativamente às tradicionais «cadeiras de patins» Lusíadas de ébano, sendo uma dessas diferenças determinante para a verdadeira determinação da sua funcionalidade original. Essa diferença é a sua maior e invulgar largura - 89 a 92 cm, no caso das primeiras; 67,5 a 75 cm, no caso das segundas - e a, consequente, maior largura do seu assento (se tivermos em consideração a largura dos descansos para os braços, então a diferença do espaço disponível para se sentar é substancialmente superior), largura essa que permite perceber que os noivos se sentavam simultaneamente na cadeira na celebração do casamento. Não podemos deixar de ter em consideração a especial dimensão física da população indiana.Estaremos, como tudo indica, perante um mesmo modelo de cadeiras Lusíadas produzidas na vertente de influência Mogol destinadas a funções distintas. Umas designadas de «cadeiras de poder» (ou «de estado») destinadas a serem utilizadas pelos mais altos detentores das posições políticas, sociais e económicas das suas respectivas comunidades, tendo sido consumidas em grande quantidade pelas elites da costa oriental africana; as outras designadas, aparentemente, de «grandes cadeiras de casamento indianas», de assento mais amplo e possuindo nos seus espaldares uma decoração simbólica e alusiva ao matrimónio - as flores -, tendo sido consumidas em grande quantidade pelas membros das elites muçulmanas da Índia - Guzerate - e de diversos estados islâmicos da costa oriental africana, desde perto do Corno de África (Mombaça e Zanzibar) até ao Egipto.Assim sendo, a presente cadeira integra um grupo muito restrito de «grandes cadeiras de casamento indianas», das quais, aparentemente, só se encontravam registadas até agora, como vimos, as existentes no Museu Gayer-Anderson do Cairo, a do Museu Nacional de Artes Decorativas de Madrid e a que integra uma colecção particular portuguesa.[1] - vd. https://www.egypttoday.com/Article/9/36761/See-the-Museum-behind-James-Bond-Movie – consultado a 29-3-2018, às 11:48; e https://www.losviajeros.net/fotos/africa/Cairo/index.php?fn=gayer2 – consultado a 29-3-2018, às 12:03.[2] - vd. catálogo da exposição “Os Construtores do Oriente Português”. Porto: Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1998, pp. 441-442, nº 219.[3] - vd. – DIAS, Pedro – “Mobiliário Indo-Português”. Moreira de Cónegos: Imaginalis, 2013, pp. 207 e 213.