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FRANCISCO VIEIRA PORTUENSE - 1765-1805 Retrato de Maria Amália de Habsburgo, Arquiduquesa de Áustria, Duquesa de Parma (1746-1804) óleo sobre tela reentelado, restauros assinado e datado de 1795 Dimensões (altura x comprimento x largura) - 100 x 78 cm Notas: colecção particular de Cascais.Bens classificados sujeitos ao Exercício do Direito de Preferência por parte do Estado a obra em causa encontra- se legalmente protegida desde 1974, ao abrigo do Artigo 1º do Decreto-Lei n.º 38.906, de 10/09/1952, e do artigo 19.º, n.º 12, do Decreto n.º 46.349, de 22/05/1965, tendo sido publicada em Diário do Governo, III série, n.º 41, de 18/02/1974.obra reproduzida em GOMES, Paulo Varela - "Vieira Portuense". Lisboa: Edições Inapa, 2001, pp. 106-107.Integrou a exposição "Francisco Vieira, o Portuense (1765-1805), realizada no Museu Nacional Soares dos Reis, de 24 de Julho a 28 de Outubro de 2001, encontrando-se representada no respectivo catálogo, pp. 136-137.Obra representada na capa da revista Arte Ibérica, nº 48, Julho de 2001.“Vieira Portuense foi o pintor mais cosmopolita que Portugal teve e, quem sabe, ainda tem. [...] O pai, Domingos Francisco Vieira, era «pintor de paisagens para mobiliário». Mas não foi com certeza com o pai, nem com a breve passagem pela oficina de Pillement, na Porta do Olival, no Porto, nem tão-pouco nos supostos ensinamentos de Gama Ströberle, ou sequer na sua breve passagem pela Aula Régia de Desenho, que Vieira adquiriu o seu estilo. Foi, sim, ao longo da viagem que empreendeu por toda a Europa que Vieira fez a viragem definitiva, vindo a tornar-se um artista que podia ombrear com qualquer outro da sua época.[...] Em Roma ganha o primeiro prémio de desenho da Academia, em Parma é admitido como membro da Academia local, em Bolonha acontece o mesmo e, ao chegar a Londres, expõe de imediato na Royal Academy.[...] De facto, a vontade e a curiosidade do pintor levaram-no aos mais distantes lugares da Itália e, para fazer face às despesas, Vieira trabalhou directamente para a corte de Parma onde retrata com sucesso vários elementos da família.”FRANCO, Anísio - “Vieira Portuense - um pintor cosmopolita” in Arte Ibérica. Lisboa: Edições Arrábida, nº 48, Julho de 2001, pp. 36-39."A pintura resulta da última encomenda que Vieira recebeu durante os seus anos parmenses. Envolvia dois retratos, o da duquesa de Parma e o do infante D.Ludovico [...]. A duquesa apresenta-se em traje de caçadora, actividade a que se dedicava com quotidiana paixão nos domínios de Sala Baganza e de Colorno, suas residências habituais. A informalidade do traje e da pose denotam o carácter excêntrico da retratada, o que Vieira sugere também na argúcia do olhar, no acento voluntarista da expressão e na convocação de objectos que remetem para a firmeza e feminilidade de Maria Amália. [...] Estilisticamente a obra detém um aspecto de cuidado acabamento, atento aos pormenores, insistindo na factura das rendas ou nos reflexos das fímbrias douradas, procurando uma nitidez visual de gosto neoclássico, desde a composição, à textura matérica da cor ou à esmaltada superfície cromática. [...] A referência ao retrato inglês, com o modelo colocado sobre um fundo de paisagem, condensa-se no cenário de vegetação sombria que, no seu progressivo clarear, sugere profundidade.Este carácter mais cenográfico que "atmosférico", os efeitos volumétricos dados ainda através do claro-escuro, a permanente atenção ao jogo móbil da sombra criado pela intermitente luz filtrada entre as árvores, revela a consonância de Vieira com o neoclassicismo refinado e elegante da Kauffmann."RAGGI, Giuseppina - “Retrato da duquesa Maria Amália de Parma” in Francisco Vieira o Portuense - 1765-1805. Lisboa: Instituto Português de Museus, 2001, pp. 136-138, nº 36.“Este é um dos melhores retratos de toda a história da pintura portuguesa. [...]O retrato da Grã-Duquesa veio para Portugal não se sabe exactamente como, tendo pertencido à colecção dos Viscondes de Asseca que o terão herdado dos Palmelas - o que significa que o quadro pode ter sido adquirido pelo Duque D. Pedro em Itália ou em Espanha na primeira metade do século XIX.É o mais lisonjeador e melhor retrato de Maria Amália vindo até nós. [...]. As cores são surpreendentes, em especial o violento amarelo do vestido envergado por Maria Amália. E são precisamente as cores que de certo modo qualificam o retrato como uma peça característica da pintura francesa do final do século XVIII, recordando muito os retratos executados por uma famosa pintora aristocrática da época, Elisabeth Vigée-Lebrun (1755-1842), em que Vieira se inspirou várias vezes.Já o modo como Vieira pintou o rosto e a pose da Duquesa indiciavam esta influência francesa. De facto, foi perante o exemplo da pintura francesa que os retratados começaram a exigir cada vez mais dos pintores que «capturassem» o seu carácter, a sua personalidade, a sua individualidade, em vez das marcas de estatuto e dignidade características do retratismo barroco.É bem de carácter que é necessário falar a propósito do retrato de Maria Amália, uma pintura da tradição francesa - e inglesa a partir de meados do século XVIII - que demonstra a vivacidade de referências e a segurança da mão do artista que encantava a corte de Parma.”GOMES, Paulo Varela - “Vieira Portuense”. Lisboa: Edições Inapa, 2004, pp. 106-109.