O site da Cabral Moncada Leilões utiliza Cookies para proporcionar aos seus utilizadores uma maior rapidez e a personalização do serviço prestado. Ao navegar no site estará a consentir a utilização dos Cookies.Consulte a nossa Política de cookies

Sessão única | March 30, 2026  | 327 Lotes

1/22

euro_symbol€ 200,000 - 300,000 Base - Estimativa

chevron_leftLote anterior 106 chevron_rightLote seguinte

ATRIBUÍDO A MARCELINO DE ARAÚJO - c. 1690-1769 Anjos candelários par de esculturas barrocas em madeira dourada e policromada escudos com inscrições LAUDATE EU OMNES VIRTUTES EJUS, PS 147 - ESTA IMAGEM MANDOU FAZER A MADRE MARIANNA DA GLORIA POR SUA DEVOÇÃO - ANNO DE 1726 e LAUDATE DOMINUM OMNES ANGE EJUS - ESTA IMAGEM MANDOU FAZER A MADRE CATHARINA LUISA DO CEO POR SUA DEVOÇÃO - ANNO DE 1726 e datada de 1726, bases em madeira entalhada e dourada Portuguesas séc. XVIII (1º terço) plumas da cabeça de um anjo não originais, pequenos restauros, fissuras, pequenas faltas e defeitos, vestígios de insectos xilófagos Dimensões (altura x comprimento x largura) - (anjos) 198 cm; (bases) 82 x 78 x 63 cm; (altura total) 280 cm Notas: Proveniência:
- integraram a coleção Ernesto Vilhena (documentados na coleção desde 1933), tendo integrado o leilão da colecção "Ernesto Vilhena", realizado pela leiloeira Leiria e Nascimento em 1970. - vd. CARVALHO, Maria João Vilhena de - “A Constituição de uma Coleção Nacional, s Esculturas de Ernesto Vilhena”. Casal de Cambra: Caleidoscópio, 2017.


- Integraram a exposição "Triunfo do Barroco", Europália, realizada no Palais des Beaux-arts, Bruxelas, de 19 de setembro e 29 de dezembro de 1991, e no Centro Cultural de Belém, Lisboa, 1993.


"Com muita frequência, nas igrejas portuguesas os anjos candelários eram colocados à entrada da capela-mor, quais figuras de convite das residências domésticas, para denunciarem o espaço religioso afecto à instalação do Santíssimo ao mesmo tempo que o vigiavam, e lhe asseguravam a iluminação miníma. Estes que se mostram envergam uma armadura estilizada que é dissimulada pelo laço com borla pendente, de reminiscência berainnesca, e na parte inferior pelos panejamentos esvoaçantes a esbater a configuração militar. Ligada à tradição que lhes dá imagem, desde o gótico, com a feição predominantemente protectora, e necessitariam, ainda no séc. XVIII, deste signo, que conota a cavalaria na arte cristã.
Kubler e Soria (1959) consideram que - os anjos candeláricos representam «the most original achievement of rococo woodcarving in Portugal». Talvez que a leveza, a graciosidade e a ambiguidade da figura que a indumentária e a escala natural ajudam a manter concretizassem uma dimensão profana e frívola, possibilitando uma categorização dentro da estética rocaille. «...»
De Soror Mariana da Glória, doadora de uma delas, apenas conhecemos ter sido eleita abadessa do convento de Nossa Senhora da Conceição de Marvila, em Lisboa, a 8 de Março de 1753 (L. Caetano de Lima), e que escreveu um livro, publicado em 1750, de que não se regista qualquer exemplar, com o título «Fundação do Convento de Nossa Senhora de Marvila», o que levará a pensar, terem sido os anjos encomendados no Sul. Contudo, a afinidade estilística evoca a obra de Marceliano de Araújo, entalhador, escultor e ensamblador de Braga, sendo mais expressivo o confronto com o conjunto de Alegorias (v.g., a da Fortaleza) que realizou em 1737-38 para as notáveis caixas dos órgãos da Sé de Braga, «formando com o contíguo cadeiral do coro (v. antifonário II n.º 8) um conjunto de deslumbrante luxo e imponência, com poucos rivais no mundo da escultura em madeira» (R. Smith). Nos serafins do retábulo central da igreja da Misericórdia, em Braga, captámos o mesmo tratamento da indumentária - a abertura em cunha da saia -, força expressiva e postura física, veja-se o modo como nas mãos tocam os escudos."
vd. TEIXEIRA, José Monterroso de - "Triunfo do Barroco". Lisboa: Fundação das Descobertas, Centro Cultural de Belém, 1993, pp. 204-205. fig. II-1.



"Do mesmo modo [o Comandante Ernesto de Vilhena], não deixa de se interessar pela imaginária e por qualquer outra tipologia de escultura dos séculos anteriores ao XIV, embora menos acessível nos mercados; como se entusiasma igualmente com a imaginária dos séculos XVII e XVIII, ficando este último gosto escriturado com clareza nas memórias do colecionador quanto se refere aos seus Anjos Tocheiros barrocos, adquiridos em data anterior a 1933." - vd. CARVALHO, Maria João Vilhena de - "A Constituição de uma Colecção Nacional: As esculturas de Ernesto Vilhena". Lisboa: Caleidoscópio/Património Cultural - Direcção-Geral do Património Cultural, 2017, p. 190, onde uma das escultura é reproduzida, p. 189, fig. 75.

Mensagem