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P
RATO
,
faiança,
decoração
de “Pré-Aranhões”
a azul e vinoso
“Paisagem com Cupido
de olhos vendados”,
português,
séc. XVII (2º quartel),
partido e colado
Nota:
exemplares
semelhantes, com temas
centrais diversos,
integram a Colecção
António Miranda,
encontrando-se
representados
em MONCADA,
Miguel Cabral de
- “Faiança Portuguesa
- séc. XVI a séc. XVIII”,
Scribe, Lisboa, 2008,
pp. 71-80, nºs 51 a 65.
Dim. - 38,5 cm
A Plate,
faience,
“Pre-Aranhões”
blue and vinous
decoration “Landscape
with blindfolded Cupid”,
Portuguese,
17th C. (2nd quarter),
broken and glued
€ 800 - 1.200
Nota:
nas fontes narrativas e figuradas da Antiguidade Clássica, «Cupido»
aparece, invariavelmente, desvendado, nunca sendo descrito ou representado
vendado, por força da crença platónica de que os sentimentos mais nobres
entravam na alma através do mais nobre dos sentidos - a visão. Foram os
escritores medievais que começaram a encontrar-se em desconformidade
com o seu significado clássico, por virtude das suas concepções teológicas.
Tal facto teve como consequência começarem a atribuir-lhe os aspectos mais
desagradáveis do amor. Os autores renascentistas não ignoravam que na arte
da Antiguidade Clássica a figura do «Cupido» não era representada cega
e que tal cegueira só lhe começou a ser imputada na Idade Média.
As razões para esta nova característica do «Cupido» são o menos lisonjeiras
possível para a sua imagem - por ser cego, não se importa para onde se vira,
já que o amor ataca igualmente pobres e ricos, os belos e os feios.
Os pintores cobrem os seus olhos com uma venda para realçar
que as pessoas apaixonadas não sabem para onde vão,
porque estão sem juízo e sem discernimento e conduzidas pela pura paixão.
Assim existem duas correntes opostas sobre o carácter do «Cupido» e do amor.
De um lado, a visão classicista, que o encara de forma positiva,
como revelando uma elevação espiritual. Do outro lado, a visão dos mitógrafos
moralizantes que o encaram de forma negativa, como uma degradante paixão
sensual - a cegueira como símbolo do mal e de pecado. Este pleito vai ter
como consequência, na arte, a sua representação de “olhos bem abertos”
ou a sua representação “cego” ou de “olhos vendados”.
Vd. PANOFSKY, Erwin - “Estudios sobre iconología”, Alianza Universidad,
Madrid, decima-sétima reimpressão da versão espanhola, 2010,
“Cupido el ciego”, pp. 139-188.
O primeiro valor indicado em euros corresponde à reserva contratada com o proprietário
cabral moncada leilões
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